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[Jornada] Fade Into Darkness

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[Jornada] Fade Into Darkness

Mensagem por Nicky em 1st Janeiro 2015, 22:01


NICOLE J. DUNCAN
Oyuki
a.k.a.: Nicky
Classe: Treinadora Pokémon
Naturalidade: Pallet Town - Kanto
OBS: Alguns dos temas aqui retratados poderão ser impróprios para menores de 16 anos. Leia por sua conta e risco.


Todos conhecem a história do mundo Pokémon, uma terra onde humanos e criaturinhas de diversos tipos, tamanhos, cores e personalidades conviviam juntos. Algumas pessoas preferiam tê-los como bichinhos de estimação. Outras, batalhavam entre si almejando tornar-se o melhor treinador e ter os melhores monstrinhos. De um jeito ou de outro, humanos e pokémons podiam viver em paz e harmonia num mundo cheio de aventuras e descobertas.

É uma pena que tudo isso acabou.

Os humanos, sempre gananciosos e inconsequentes, passaram a querer mais do que tinham nas mãos. Destruíram áreas para construir mais cidades, matando e tirando o espaço dos monstrinhos silvestres. Usaram a tecnologia para fins lucrativos que até envolviam machucar os outros, até mesmo os seus iguais. Poluíram os rios e lagos que eram berço para tantas criaturas. Fizeram experimentos nos indefesos pokémons, com o objetivo de alterar suas genéticas para que fossem ainda mais fortes e perigosos.

Mal sabiam eles a desgraça que estavam soltando no mundo.

Um dos experimentos acabou fugindo ao controle dos pesquisadores e cientistas da empresa de biotecnologia R.T. Company (sua matriz em Celadon), que haviam criado sem querer um potente soro que não apenas tornava os pokémons mais poderosos mas também apagava toda a sua consciência e os tornava meras máquinas de matar.

Mais forte, mais inteligente e mais letal que os demais pokémons, o primeiro monstrinho em que o soro foi injetado pareceu entender o que os humanos estavam fazendo à sua espécie e decidiu contra-atacar, matando todos os seus 'criadores' e qualquer um que entrasse em seu caminho. Ele aprendeu, mais tarde, a contaminar outros pokémons e torná-los irracionais e sanguinários. Um arranhão ou mordida profunda fazia com que os seres treinados se voltassem contra seus treinadores, sem piedade alguma. Esses monstrinhos contaminados passaram a ser conhecidos como Shadows, por serem apenas uma sombra do que já foram um dia.

Em pouco tempo, dezenas de pessoas que viviam próximos ao laboratório de onde o primeiro infectado fugiu sucumbiram à revolta dos pokémons e nada parecia ser capaz de pará-los.

Enquanto isso, nas demais cidades, tudo corria normalmente. A mídia local de Celadon, temerosa de que aquele incidente se transformasse em um pandemônio, se esforçou em abafar toda a polêmica, de modo que apenas os cientistas das demais cidades ficassem sabendo do incidente. Algumas pessoas ainda tinham esperanças de que tudo poderia ser consertado e uma verdadeira caça aos Shadows se iniciou - matá-los, eliminar seus corpos e impedir que contaminassem os pokémons saudáveis eram as prioridades máximas do governo. Dessa forma, em pouco tempo, a ameaça fora controlada nas redondezas.

Ou assim eles acreditavam.

Os Shadows remanescentes fugiram para a natureza e começaram a contaminar os pokémons selvagens, de tal forma que em poucas semanas eles chegaram às demais cidades, semeando o caos e a destruição. Os dois únicos lugares supostamente seguros de Kanto eram a Cinnabar Island e a pacata cidade de Pallet

Ou eram, até dois dias atrás quando Pallet foi invadida por uma quantidade indefinida de Shadows vindos de Viridian.

Meu nome é Nicole Duncan. Eu e meu irmão Danny precisamos fugir da cidade o mais rápido possível e encontrar um lugar seguro. Nosso futuro é incerto. Nosso objetivo principal?

Sobreviver ao apocalipse Pokémon.

Custe o que custar.





Última edição por Nicky em 4th Janeiro 2015, 21:00, editado 1 vez(es)




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Re: [Jornada] Fade Into Darkness

Mensagem por Dtwist em 1st Janeiro 2015, 22:33

Boa introdução.

Pode iniciar.

Leia as regras da jornada qualquer duvida.

Ps: Gostei do template.




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Re: [Jornada] Fade Into Darkness

Mensagem por Nicky em 12th Janeiro 2015, 20:32




#001 - The end of the world as we know it



M-mamãe?


Foi preciso que a mesma palavra trêmula fosse repetida mais duas vezes antes que a mulher abrisse os olhos e saísse de seu mundinho de sonhos. A confusão ainda nublava seus pensamentos quando esta se sentou na cama, passando as costas das mãos sobre os olhos pra afastar o sono e poder finalmente focar a garotinha na soleira da porta.


Hmn? O que foi, filha? — A mulher de cabelos azulados murmurou, bocejando logo em seguida.— Foi alguma coisa com o Danny?


E-eu tive um... Pesadelo.


A expressão da maior suavizou e um pequeno sorriso cheio de compaixão encontrou o caminho para o canto de seus lábios. Com mais um bocejo, ela deu um pequeno tapinha em seu joelho. A garotinha entendeu aquilo como um convite para que se sentasse ali, mas não moveu um músculo de seu lugar. Ao invés disso, apertou a Teddiursa de pelúcia que carregava contra o peito e baixou a cabeça.


Você quer conversar sobre ele?


A garotinha balançou a cabeça numa negativa.


Quer dormir comigo e com o papai, então?


A resposta veio na forma de um aceno positivo, enquanto a mãe voltava a se deitar e deixava que a filha se aproximasse e deitasse entre ela e o pai, a cabeleira ruiva do outro contrastando com as longas madeixas azuladas. A mais velha a envolveu num abraço desajeitado, mas confortável para ambas e suspirou, levando uma das mãos aos cabelos da menor num carinho suave.


Vai ficar tudo bem, filha. — O sussurro soou quase como uma canção de ninar para a garotinha, que fechou os olhos e se aninhou mais perto da mãe — A mamãe sempre vai estar aqui pra te acolher quando você tiver esses sonhos ruins.


Promete?


É uma promessa, Nicky.




• • •



Abri os olhos lentamente, tentando me acostumar com a claridade. A voz da mulher do sonho ainda ecoava em minha cabeça.


Mamãe sempre foi péssima em manter promessas.


Após dar um longo bocejo e esfregar os olhos na esperança do gesto espantar o sono ainda fortemente presente, me forcei a sair da cama embora meus movimentos fossem dignos de alguém preso em areia movediça. A noite anterior fora mal-dormida, o sono recheado de pesadelos e memórias que eu sinceramente preferia esquecer mas que simplesmente voltavam pra me atormentar. Não me leve a mal, não é que eu odeie a minha mãe. É só que é difícil ter o menor sentimento de afeto por uma pessoa que trocou o marido e os filhos pelo trabalho, sem sequer voltar pra casa um único dia, nem mesmo para visitá-los. Papai nunca nos encorajou a odiá-la, mas era perceptível que o relacionamento não terminou em bons termos e que a separação foi crucial para fazê-lo se tornar uma outra pessoa. Alguém que era melhor não ter por perto.


Suspirei, sem conseguir definir se o aperto em meu estômago vinha da raiva de ter que remoer aquilo ou da fome de alguém que passou horas e horas sem comer.


Esperando encontrar o rosto adormecido de Danny ao meu lado, ergui o olhar. No entanto, meu irmão mais novo não estava em sua cama impecavelmente arrumada. A luz que entrava pela janela semi-aberta era fraca e alaranjada e algo me dizia que dormira muito além da conta. Uma conferida rápido no relógio na cabeceira da cama e a minha teoria fora confirmada. Cinco da tarde. Graças à Deus que era sábado ou meu patrão iria me matar. Ou despedir. O que fosse pior naquela situação precária em que vivia.


Andei até a cozinha do pequeno apartamento, me apoiando na parede. Na geladeira havia um bilhete rabiscado por Danny, avisando que saíra com a nossa Meowth para comprar comida e que estaria de volta antes de eu acordar.


É... Você está atrasado, irmãozinho.


O armário quase vazio no canto do cômodo continha apenas um item de meu interesse: uma caixa de cereal matinal. Coloquei um pouco numa tigela e fui até a sala. Comer enquanto assistia tevê era um mau hábito herdado do meu pai, mas quando você só tem dinheiro para se permitir pouquíssimos luxos, ter uma fonte constante de informações sobre o mundo exterior é extremamente importante.


O único canal da televisão além do de lutas Pokémon - que parecia estar fora do ar no momento - mostrava uma repórter loira falando rapidamente, o microfone tremendo em suas mãos.


O ataque dos chamados 'Shadows' de hoje cedo ainda não foi controlado. Segundo as informações que recebemos, aproximadamente 40% dos Pokémon de Kanto já foram contaminados e a estimativa é que o número aumente em algumas dezenas agora que a infecção chegou à Pallet Town. — A câmera foi cortada por alguns segundos e diversas imagens da destruição causada pelos Pokémon apareceram na tela da tevê, cada uma pior que a anterior — Entrevistamos o famoso Professor Oak, que analisou um dos Pokémon infectados e nos informou que o soro age como um parasita. Ele atinge áreas primitivas do cérebro do Pokémon e reinicia o sistema nervoso para assumir as funções do corpo. Em longo prazo, a pele do afetado escurece, os olhos ficam vidrados com uma coloração mais opaca. Eles se tornam mais agressivos e podem passar a doença para outros Pokémon, embora isso seja restrito aos que estiverem em um estado mais avançado de contaminação.


Um barulho alto de metal contra metal se fez ouvir, seguido de um xingamento vindo do cameraman. A jornalista parou de falar por um instante e olhou em volta, antes de continuar com a voz um pouco trêmula.


Uma vacina está sendo criada, mas não há previsão de quando ela ficará pronta. A-avisamos a todas as pessoas que permaneçam em suas casas e que tranquem t-todas as portas e janelas. Todos os Pokémon c-capturados devem ser retornados para suas pokéballs. Estamos em e-estado de emergência. Qualquer pessoa que tentar--


A repórter foi interrompida por um rosnado alto, seguido de um ataque surpresa de um - ou algo que se assemelhava à um - Raticate, que simplesmente se jogara sobre ela, enfiando seus enormes dentes no pescoço pálido da mulher. A imagem da câmera balançou algumas vezes antes de ser cortada, e o som da estática da televisão preencheu todo o apartamento.


Pulei do meu lugar no sofá e espiei pela janela (morar no penúltimo andar tinha suas vantagens). Vários carros de polícia circulavam pelo quarteirão, junto a uma ou duas ambulâncias num cenário que era difícil de acreditar. Há algumas semanas Danny, que trabalhava de aprendiz no laboratório mais próximo, havia falado sobre ter ouvido uma conversa sobre esses tais Shadows, mas parecia totalmente impossível que aquilo fosse realidade e...


...Oh meu Deus, Danny. Eu precisava encontrá-lo!


Sem pensar muito, troquei de roupa e peguei minha maior mochila. Separei algumas roupas minhas e de meu irmão, junto com alguns pertences e corri novamente para a cozinha, sendo breve em organizar alguns alimentos não-perecíveis e garrafas d'água. Aquilo provavelmente não daria pra muito se precisássemos fugir da cidade e sobreviver fora dela, mas era melhor ter pouco do que nada. Com o coração martelando contra o peito, guardei o último objeto e joguei a mochila nas costas, saindo do apartamento.  Agora a prioridade era encontrar alguém que pudesse me emprestar um celular e tentar ligar para Danny. Tinha que haver alguma pessoa ainda no prédio, alguém bondoso e legal que...


As luzes do corredor piscaram rapidamente e tudo ficou silencioso. Silencioso demais. Em poucos segundos elas voltaram a se acender - bem mais fracas que anteriormente - trazendo um clima tenso de filme de terror para o prédio.


Eu precisava sair dali. E rápido.


Minha melhor opção no momento era falar com o vizinho do 202. Isso. Ele iria me ajudar. Dei passos cautelosos até atingir o fim do corredor, próximo à escada e o elevador e bati na porta três vezes. Do lado de fora dava para ouvir uma voz masculina, zumbidos elétricos e diversos barulhos misturados. A porta foi aberta alguns instantes depois e um rapaz alto, de cabelos castanhos e barba por fazer apareceu. Ele ajustou os óculos sobre o nariz e olhou de um lado para o outro antes de resmungar:


Não tem nenhum Pokémon aí com você, não é? — Neguei com a cabeça e ele prosseguiu — Entre, rápido. Não é seguro do lado de fora.


Meu pulso esquerdo foi envolvido um segundo depois e ele me puxou pra dentro. O apartamento era tão pequeno quanto o meu, mas parecia ainda menor se levasse em conta que cada metro que eu conseguia enxergar estava ocupado por algum aparelho eletrônico. Uma tevê de plasma gigantesca no canto da sala chiava com a estática, o som sendo ampliado por conta do home theather eficiente, enquanto um computador com duas telas, um laptop e um celular emitiam algum tipo de barulho ao mesmo tempo. O zumbido das máquinas trabalhando em conjunto não parava um único segundo, mas parecia reconfortante se comparado ao silêncio no corredor do lado de fora.


Meu nome é Gary.— O rapaz sentou-se diante do computador e colocou um fone de ouvido absurdamente grande — Você viu as notícias? Os Pokémon estão loucos! Vão matar todos nós e arrancar nossos olhos e beber nosso sangue! O meu avô já havia avisado que algo assim ia...


Espera, espera aí. — interrompi seu monólogo e ele tirou o fone, me olhando incrédulo — Eu só quero um celular. Posso usar o seu para uma chamada rápida?


Todos os sistemas de comunicação pessoal entraram em pane, lindinha. Celulares, telefones fixos, internet, nada funciona. Eu até tentei ligar para o meu avô e ver se ele está bem, mas não consegui fazer nada. — Gary abriu a gaveta do móvel de madeira ao seu lado e puxou três pequenas esferas branco-e-vermelho. Pokéballs. — Ele me deixou com essas três coisas aqui e provavelmente está preso no laboratório agora. Ele deu uma entrevista hoje mais cedo, mas não acho que isso é o suficiente pra ter certeza que ele está bem e...


Espera aí. Seu avô é o Professor Oak?


Quando você vai parar de me interromper?! — Ele bufou, irritado, digitando alguns comandos no computador com a mão livre. A imagem de um enorme mapa com pontinhos vermelhos apareceu — Sim, meu avô é o Professor Oak. Ele já sabia de toda essa parada e nós estávamos prontos pra fugir pra Cinnabar ou algum outro lugar com esses três Pokémon raros quando a cidade foi atacada. Agora eu nem sei se ele está vivo e eu aposto que seu sair daqui eu vou...


Mais uma vez Gary se calou. Exceto que dessa vez não fui eu que o interrompi e sim o fato de todas as luzes do recinto serem apagadas abruptamente, trazendo consigo o barulho alto de alguma coisa sendo quebrada no andar de cima, seguido do som de gritos e rosnados e então uma explosão de passos no corredor. O moreno se levantou abruptamente e encostou a orelha na porta, sua boca formando um 'O' perfeito. O barulho seguinte não foi natural, não veio de um humano e provavelmente de nenhum Pokémon. Ao menos não de um saudável.


Desculpa, você precisa ir embora agora! — Gary gritou de repente, andando até mim e me empurrando pelos ombros até que eu estivesse fora do apartamento dele — Espero que isso te ajude. Boa sorte.


Antes de fechar a porta com força, ele arremessou uma das três esferas que ainda segurava para mim. Talvez Gary sentira pena e decidiu me dar um dos Pokémon do avô dele, pelo menos para que eu tivesse a chance de me defender. Mas praticamente sozinha, numa cidade infestada de Pokémon-zumbis que nem mesmo a polícia conseguia conter, que chance eu tinha?


Até então eu não tinha notado. Deus, eu estava em péssimas condições. Minhas chances de encontrar Danny - ou mesmo de simplesmente sobreviver - eram quase nulas. Foi como se a realidade acabasse de me dar um soco na cara, gritando que aquilo não era um jogo de video-game, onde eu poderia reiniciar sempre que perdesse uma vida.


E tudo o que eu tinha pra me defender era um Pokémon desconhecido.


É melhor que você seja de um tipo muito bom. — Murmurei, apertando o botão central da pokéball para que ela crescesse antes de falar num tom sussurrado. — Saia.


Uma luz avermelhada foi direcionada para o chão à minha frente e o contorno de um pequeno Pokémon apareceu. À medida que a facho vermelho diminuía, dava pra ver melhor as pernas gordinhas, a pele esverdeada e finalmente o bulbo verde-escuro nas costas da criaturinha.


...Fala sério. Um Bulbasaur? Eu vou ter que sobreviver a esse pandemônio com um maldito repolho?


Bulba?


Grunhi e segurei a vontade de gritar, de socar o que estivesse no caminho ou de simplesmente voltar para o meu apartamento e esperar Danny por lá. O serzinho verde me encarava com os olhos vermelhos arregalados, cheios de curiosidade e um certo quê de receio. Talvez ele soubesse o que estava acontecendo. Talvez ele também estivesse com medo. Era impossível não sentir simpatia pelo Pokémon planta. Ele também precisava de proteção.


Passei uma das mãos pelo cabelo e me abaixei, esticando a mão para tocar o Pokémon, fazendo um carinho leve em sua enorme cabeça esverdeada.


Tudo bem. Tudo bem. — murmurei no tom mais doce que conseguia, tentando não assustá-lo e perder meu único aliado até então — Vai ficar tudo bem. Agora precisamos sair daqui e encontrar o meu irmão, okay?


Bulba! Bulbasaur!


Com um suspiro, me ergui novamente e olhei em volta antes de andar a passos lentos até o elevador, com o Bulbasaur na minha cola. As luzes de dentro estavam ainda mais fracas que as do corredor e, ao apertar o botão do térreo, nada aconteceu. Talvez a energia do prédio estivesse tão fraca que a única opção restante era usar as escadas.


O problema era que aquela também era a opção mais perigosa.


Movendo rapidamente, mas com cuidado, seguimos para o fim do corredor com o intuito de descer pelo modo mais difícil.  A temperatura na escadaria estava bem mais fria do que no corredor e a escuridão engolia tudo à sua volta. Era preciso segurar bem na barra de ferro ao lado da parede, pois qualquer passo em falso provavelmente resultaria num pescoço quebrado.


Devagar, Bulbasaur. — murmurei, conferindo se o Pokémon planta estava me seguindo ou estava muito pra trás — E tente não fazer barulho, não sei o que encontraremos lá em baixo.


O restante do caminho foi silencioso, exceto pelo barulho de passos e alguns ruídos animalescos em algum apartamento. Provavelmente algum Pokémon contaminado conseguiu entrar no prédio e estava andando por aí, atacando pessoa inocentes. Apenas esse pensamento me fez estremecer. Odiava essa sensação de não saber o que ia acontecer, de não ter nenhum controle da situação. De repente, o espaço da escadaria pareceu diminuir e meu estômago deu uma volta incômoda.


Havia várias coisas sobre mim que eu não gostava. A claustrofobia que só aparecia em momentos inoportunos definitivamente estava no topo da lista.


Longos e torturantes minutos depois, finalmente chegamos ao lobby do prédio. Ou algo que parecia o lobby, por que a escuridão parecia ter se espalhado até para ali. Agora só precisaríamos atravessar o curto caminho até o outro lado e enfim chegar na...


...Um rosnado alto interrompeu minha linha de pensamento. O som era idêntico ao que ouvira na tevê, um pouco antes da repórter ser atacada.


Oh, oh. Aquilo só poderia significar uma coisa.



Oh, droga. Bulbasaur, fuja!


Não deu tempo de correr muito longe. Em poucos instantes, senti o peso do dono daquele barulho contra minhas pernas. O ataque físico me fez perder o equilíbrio e meu queixo quase bateu no chão. Meus olhos finalmente se acostumaram com a pouca luz e, com apenas um olhar para trás, foi possível ver o Pokémon infectado. O que outrora era um Rattata agora era um autêntico Shadow, com sua pele acinzentada contrastando com os olhos enormes e opacos e os dentes brilhando e...  Espera, dentes brilhando?

Ah, não. Com tantos ataques menos doloridos, ele tinha que usar um Bite?


Fechei os olhos, esperando pela dor física...


...Que não veio. Abri os olhos rapidamente, conseguindo vislumbrar o corpo diminuto do Rattata se retraindo até ficar numa distância segura, vítima de várias chicotadas. Bulbasaur agora estava parado à minha frente, numa pose que dizia que ele estava pronto para atacar novamente. Que estava pronto para uma batalha. 



Bulbasaur… Tudo bem, vamos lutar. — me ergui e apontei para o Rattata que, já recuperado do ataque surpresa, se preparava pra avançar novamente — Use o Vine Whip para pará-lo e depois Leech Seed!


O roedor até tentou correr em nossa direção pronto para atacar com um poderoso Tackle, mas as vinhas do Bulbasaur chicotearam e amarraram suas patas frontais antes mesmo que conseguisse chegar muito perto. O resultado foi óbvio: o Pokémon rato caiu de cara no chão, abrindo uma brecha enorme para o ataque seguinte.


Uma semente foi expelida direto do bulbo do Pokémon planta e atingiu o adversário sem pena, sugando sua força vital e transferindo parte dela para Bulbasaur. Não fora o suficiente para fazer o Rattata desmaiar, porém a dor excruciante era visível na face do pokémon, que provavelmente não esperava por aquilo tudo. Ele começou a usar de suas garras e dentes pra se livrar daquela semente e, junto com ela, da sensação terrível.

Aquela só podia ser mais uma abertura para o próximo ataque. Talvez os Pokémons infectados não são assim tão inteligentes.


Ataque com Razor Leaf. E tome cuidado com aqueles dentes!


Bulba!


Bulbasaur tomou uma pequena distância, lançando folhas na direção do outro Pokémon. Exceto que não eram apenas folhas comuns e sim poderosas lâminas que poderiam definir a nossa vitória. Para o nosso azar, o Pokémon adversário pareceu esquecer a dor gerada pela semente e se moveu rapidamente por todo o espaço, confundindo o Pokémon planta. Aquilo era um Quick Attack, não era?


Vamos, tente desviar e... — Não terminei de falar, por que Bulbasaur fora arremessado para o outro lado da sala, atingido pelo poderoso Quick Attack. O Rattata não perdeu tempo em tentar aplicar outro golpe, seus dentes brilhando com mais um BiteDroga. Use o Vine Whip pra afastá-lo, rápido!


Antes que Bulbasaur pudesse ser atingido, seus chicotes de vinhas mais uma vez salvaram o dia. O Pokémon planta envolveu as costas e a barriga do adversário e o arremessou contra uma das paredes, o estrondo do impacto reverberando por todo o lobby. Como era de se esperar, assim que as vinhas foram retraídas novamente, o Pokémon rato tentou se erguer mais uma vez.  Trêmulo e rosnando, com um líquido grosso e escuro pingando de sua boca por entre os dentes cerrados e os olhos transbordando fúria. Seu corpo se retesou e ele pareceu se concentrar, num claro Focus Energy.

No entanto, a ameaçadora posição do roedor não intimidou Bulbasaur, que num gesto desafiador deu um passo à frente.


Agora, use o Sleep Powder. E finalize com Razor Leaf, só pra garantir.


Mal terminei de ordenar e o pó do sono do Pokémon grama flutuou por parte do lobby em partículas minúsculas e brilhantes. Os olhos turvos do Rattata foram lentamente perdendo o foco, enquanto ele ainda lutava para se erguer novamente e atacar mais uma vez. Sem ter força sequer para sair do caminho, não é preciso ser bom adivinho para saber que o roedor foi atingido pelas folhas cortantes, desmaiando logo em seguida.


Acabou. – sussurrei, minhas pernas finalmente cedendo – Acabou, Bulbasaur.


O pokémon planta correu em minha direção,  grunhindo feliz e contente como se não tivesse acabado de arriscar sua vida e vencer a batalha. Pra falar a verdade, eu até o invejava um pouco - a imagem do Rattata infectado nos encarando com aquele olhar assassino ia demorar bastante pra sair da minha mente.


Muito bem. Você foi muito bem. — Dei leves tapinhas carinhosas na cabeça do Pokémon, suspirando aliviada por ele estar bem — E obrigada por me salvar.


Bulba!


Vamos sair daqui. — Levantei-me, lançando um olhar de soslaio para o Pokémon desmaiado antes de andar até o portão no fim do lobby, com o Pokémon planta em meu encalço — Algo me diz que esse não é o único Shadow por aqui.

 
O lado de fora do prédio parecia um cenário de filme. Toda as portas e janelas das casas por perto fechadas, as luzes desligadas. Um pidgey resfolegava no asfalto perto da esquina, agonizando e com ferimentos em estado muito além do que qualquer um poderia fazer para ajuda-lo.  Um carro abandonado fumegava no canto da rua, colunas de fumaça escura escapando do capô semiaberto com tanta intensidade que ficava difícil ver o céu alaranjado de fim de tarde. Nenhum único ser humano por perto, embora o barulho de sirenes de ambulâncias e viaturas da polícia podia ser ouvido com clareza.

Ergui o olhar e suspirei pesadamente, apertando minha mochila contra os ombros. Aquela jornada estava muito longe de acabar.


Eu prometo que vou te encontrar, Danny. Custe o que custar.




Continua...



Pallet Town | Treino de Bulbasaur | Parte 1/?
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Re: [Jornada] Fade Into Darkness

Mensagem por Akira' em 13th Janeiro 2015, 18:19

Uma história curiosa, misturar Pokémon a uma espécie de apocalipse é algo novo para mim. Esperando os próximos posts. No geral foi tudo muito bom, não percebi nenhum erro e mesmo alguns pontos ficando vagos por causa da história, ainda não perdeu a qualidade.

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Re: [Jornada] Fade Into Darkness

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